Diálogo intra, extra e interpessoal
- Diz-me onde queres ir.
- Agora quero estar na Áustria, a comer Kaiserschmarren ou Apfelstrudel no Café Central de Viena. Mas não quero aquele café.
- Não gostas de café?
- Gosto, adoro. Todos os tipos, de todas as maneiras, menos aquela como eles lá bebem.
- Foste feliz na Áustria?
- Foi o princípio da vida que sempre quis ter.
- Como assim?
- Conhecer novas pessoas, viajar. Ficar admirada com tudo o que existe para além do que vi toda a vida. Querer ser eu, ali. Querer ser eu em todo o meu expoente.
- Não és?
- Agora sou. Mas mesmo assim, quero estar na Áustria. Ou então não. Quero estar em Madrid!
- Mas ainda agora lá foste, oh marmanjona.
- Pois fui. E mudou a minha vida.
- Porquê?
- Porque estava sozinha. Estive sozinha um dia em Madrid. E a solidão não me fez mal, muito pelo contrário, acompanhou-me, levou-me à última gavetinha do meu cérebro. Quis estar ali para sempre. A ser eu, acompanhada de mim, a fazer uma sinopse de tudo o que se passa e passou na minha vida.
- O que queres agora?
- De momento, não preciso de nada. Não preciso de gente a mais na minha vida, não preciso de conselhos nem de sugestões. Cresci muito, mesmo sem os anos a passar. Cresci porque sou eu. Tenho na minha vida a quantidade certa de pessoas, mas mesmo assim conheço pessoas fantásticas todos os dias. Tenho os meus amigos que me sabem aqui. Não preciso de estar onde eles estão, mas preciso de estar onde eles me querem. E quando, principalmente quando. Tudo é acessório, se bem que me apetece aquela roupa da Friday’s project.
- O que queres agora?
- Nova Iorque cheia de neve.






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