Election Day
Hoje é um daqueles dias em que eu questiono a nossa existência neste mundo. Do outro lado do Atlântico estão milhões de americanos, gorditos à pala dos McDonald’s e dos KFC e das apple pie e de todas as outras coisas que fazem mal mas que até podem saber bem, com um boletim na mão e a decidir o futuro do mundo. Eu que até estou interessada em viver bem e numa economia estável, decidida pelos mesmíssimos senhores que estão agora a ver quem vai morar na Casa Branca, tenho o meu cartão de eleitor que serve para quê? Para decidir o que se passa no meu país. E se, no meu país, toda a gente se chatear por causa do bug que mais tarde ou mais cedo o Magalhães vai ter e decidirem, vá, andar à porrada, o que é que acontece? Vêm aí os americanos pôr a ordem no burgo. Quem é que os mandou vir? Ninguém. Quer é que os elege? Aqueles que nem sabem onde é o Iraque, nem o Afeganistão, nem o Vietname, e muito menos sabem que as pernas do Cristiano Ronaldo se passeiam por estes solos que se dizem portugueses, mas que defendem com unhas e dentes que eles é que sabem o que é melhor para o mundo, nem que se mande uns mísseis e se mate uns quantos civis. E está a avó do Obama a morar no Quénia, e alguém, que come Big Mac’s como quem come um queque de noz, sabe onde é o Quénia? Não. Mas se fôr para ir estabelecer a paz no mundo, oh-meu-menino, vai de mandar para lá um avião carregado de mísseis. E se for preciso ajuda humanitária? Dá trabalho, por isso é que aquilo em New Orleans também não foi assim uma espectáculo bonito, porque eles armas têm prontas a despachar, ajuda humanitária é que, pronto… é trabalhoso.
ADIANTE
Estava eu hoje a ouvir a TSF (porque eu ando a trabalhar em demasia e não vejo a televisão) e aparece-me um senhor revoltado porque o Obama não será bom presidente porque nem americanizou ainda o nome. E é nisto que Portugal vive, em portuguesices de aparências, que muito mais importante seria o Sr. Obama ter um nome americano para poder ser presidente, e não sentir, verdadeiramente o país.
Nome americanizado ou não, o Sr. Barack Obama, que até pode passar a chamar-se McBarack McObama, que faça o favor de ganhar e depois disso, que regularize a sua economia. Para o resto do mundo isso chega, dispensamos os mísseis, obrigada.
A eleitora (não-sei-que-número) de Pedrógão, Portugal, algures no mundo.






sc_project=2605355;
sc_invisible=1;
sc_partition=25;
sc_security="7851f586";
McBarack McObama? Nah, deixem-no lá ser o Barack e governar os EUA da melhor maneira possível. Ou pelo menos, limpar a borrada que o Sô Bush fez…
Isso não era “escocizar” o nome?
Ou “irlandizar”. Para o ouvinte da TSF, seria o suficiente. Era óbvio que o homem percebia tanto da história dos EUA como eu de fazer o sushi.