E vinha esta vossa escriba de um agradável jantar na Ericeira e começa a chover, a chover muito, pensando esta vossa escriba “oh diabo, se isto não é o dilúvio, o que será? Espero bem que o Noé esteja alerta para lançar a sua barca”. E esta vossa escriba entra na auto-estrada, relâmpagos para um lado, trovões para outro, e dei então a personalidade à mesma que se apodera do meu bólide quando conduz em Lisboa, a de asneirenta. E pensei “oh que f*dasse, tu queres ver que eu tenho de fazer a marcha a ré com esta tempestade do diabo e dormir na casa da minha amiga??”. E confesso que estava a ficar f*dida porque era raios e relâmpagos e tudo o que deita muita luz e vai-se a ver, já em terreno seco, que o meu radiola deixa de dar, o filha da p*ta. Já estava eu a pensar em devolver o radio a quem o comprei e dizer “toma lá essa m*rda que deixou de dar” e os the national nunca mais saíram das colunas do meu bólide extraordinário, e eu e ficar f*dida, a ficar f*dida, tu queres ver que este cabrão do raio me f*deu o rádio até que reparo, oh perspicácia, que as luzes do tablier estão a ficar fraquinhas, inhas, e eu sempre ali a 100 km/h antes que a tempestade chegasse ao meu poiso e o rádio não dá, cabrão do c*****o, e as luzes que iluminam a estrada deixam de dar. Filho da puta, penso eu, sem asterisco sem nada. E nisto, neste nanosegundo, o cabrão do carro pára.
E pronto, amiguinha, obrigada pelo empurrão no meu carro. Que lá ficou, inerte, o cabrão.