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acontecimentos da semana

Ora bem, começou com a apresentação, perante 8o mil pessoas e o mundo inteiro, do Cristiano Rónaldo, que discursa com a mesma postura corporal de como está para marcar um livre directo e eu ali a ver quando é que ele ia espetar um pontapé no microfone do Real Madrid, Realíssimo, com o Di Stefano e o Eusébio ali atrás e a evidência que o tempo é lixado e agora ele está ali a discursar Ala Madrid e daqui a 50 anos está a ver um puto da idade dele a brincar com uma bola e a dizer “tu, má méne, foste uma pechincha”. Independentemente do que se disser, eu gosto do Cristiano Ronaldo porque ele é rico, e muito rico, porque é muito bom no que faz e há por aí muita gente que só é muito rica porque tem pais ricos, avós ricos, etc., e nem à bola sabe jogar. Eu como não tenho nem uma coisa nem outra, simpatizo com aqueles que têm a sorte (ou a ambição) de ter o mundo a seus pés, mesmo com um terrível gosto para puxadores de móveis. Mas lá está, quem sou eu para criticar. Amanhã ou outro dia sai-me o Euromilhões, dou uma casa e um mine ao meu estafermo preferido, fico rica e sem amigos, dou dinheiro aos amigos para eles não me chamarem forreta e para que continuem a ser meus amigos, quero ter e fazer e nos móveis do IKEA espeto uma formiga. Bem linda, por sinal. Com cristais Swarovski que uma pessoa enquanto ganha e não ganha o Euromilhões, vai lendo a Vogue.

Depois o Michael Jackson, que ainda não tinha falado nele, que me parece ter sido um infeliz a vida inteira e uma criança presa num corpo de adulto. A criança que nunca foi senão em tamanho. E diga-se o que se quiser dizer, e que era pedófilo e que era pai dos filhos ou não era pai dos filhos e que tomava drogas e deixava de tomar, o que é certo que não ia gostar, nem eu gostei, da exploração da dor de uma criança que o amava muito e que o achava o melhor pai do mundo nas televisões e youtubes de todo o mundo. Porque a dor é privada e imensamente intima, especialmente numa criança.

E a morte do pai de um amigo de infância e a solidão dele, e eu sem saber e eu a querer estar presente e sem saber que ele, sozinho, via enterrar o pai sem um abraço que vale o que vale que não falamos há 7 anos, mas custa e abre-me o coração estar sem poder fazer nada, e neste caso, graças à minha mãezinha, não poder fazer nada porque não sabia.

E o meu dente lascado e o meu medo grande de dentistas que há gente que realmente tem cá uma profissão que não lembra ao diabo, vou mandar fazer um pivot em Corian que isto é só passar com Cif líquido e esfregão verde e fica como novo, meus amigos, é a mil. Mas isto é marfim, de péssima qualidade, e há gente que precisa de ganhar a vida. Quanto mais não seja, a aterrorizar as pessoas com aquelas ferramentas temíveis e que guincham, iiimmmmm, e o aspirador que seca a saliva toda e, pronto, nem quero falar para não me enervar.

E o concerto dos Placebo, para mim e para mais mil ou dois mil ou não sei bem, mas não sei se vou gostar mas não há 9 sem 10 e pronto, fui obrigada. Não é bem obrigada, é que não estou quieta.

E o concerto dos Depeche Mode, que bem acompanhada que vou estar, e vai ser lindo lindo lindo, DAVE GAHAN e tenho de carregar a bateria da máquina senão não há memorabilia e eu sou uma pessoa de recordações.

E gente, vou dormir.

Pronto, gente estrangeira, clicai aqui. Quem é amiga, quem é?

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