É só para dizer que apesar de ter sido vítima de uma aterragem falhada, estou viva. Ele há merdas, pá, que me deixam lixada. Detesto andar de avião, detesto aeroportos, detesto aquelas hospedeiras cheias de base mas que agora já nem são giras nem nada. (não obstante, no regresso a Lisboa vinha um hospedeiro tão lindo mas tão lindo que eu oh) E vai-se a ver, numa das poucas viagens que faço de avião, tenho uma aterragem falhada. Aquilo já a pouquinhos metros do chão e começa a levantar a levantar e lá vejo eu o Louresshopping outra vez. Confesso que o meu primeiro pensamento foi “Boa, vamos voltar para Madrid”, mas depois comecei a achar que aquilo podia ser grave e já me estava imaginar pendurada na 25 de Abril.
Ora bem, vamos lá ao que interessa. Depois de uma noite agitada com o concerto em Lisboa, comigo a pensar que não, nunca vai esgotar e depois ter de recorrer à candonga (felizmente, consegui comprar a uma pessoa séria que só me pediu mais 2 euros do que o bilhete realmente custava), com um friozinho muito grande no estômago antes de começar o concerto, com gente muito simpática no camarote, com o Coliseu cheio e um público à altura do que os Interpol merecem, uma imperial de 3 euros num copo quente e dois dedos de conversa com um senhor louro speckled like a leopard.
Muito sono, trabalho acumulado, clientes a telefonar de cinco em cinco minutos, estou cansada e quero ir embora e encontro-me com as turistas Interpol e apanhamos o avião até Madrid. Entretanto confere, menina, confere, levas tudo, olha que agora já não dá tempo de voltar para trás, e vamos a 50km/h para o aeroporto, derramei lixívia nas minhas calças, não lavo a mão com a qual apertei a mão a outro senhor, comprei uma luva altamente resistente só para o efeito, tenho a mão suja e tudo, não lavo. Chegamos a Madrid a olhar para o mapa do metro, temos o mapa do google e uma fé do tamanho do mundo. Paramos num Burger King qualquer para comer qualquer coisa, a primeira coisa no dia todo fora uns m&m’s comprados no avião, os espanhóis não usam luvas nem nada a preparar os nossos hamburgueres e nem isso sabe bem. Vamos à procura do La Riviera, pensamos ser um sítio de bradar aos céus e afinal é um barracão ao lado duma estufa das couves. Imperial a 5 euros, mas que se lixe, para a próxima bebe água. Começa o concerto de Blonde Redhead, que por acaso achei melhor do que em Lisboa mas custou-me mais a passar, até porque em Lisboa estava sentada e ali não. Interpol começa e gente espanhola grita como se lhe estivessem a matar o burro. Muita gente histérica. Temos direito a olhar e sorriso. Termina o concerto, foi diferente do de Lisboa, não foi melhor, não senhor. Toma. Vamos para o aftershow, ganho um poster de interpol e som muito bom. Pena estar muito cansada e a puta da cerveja ser péssima. Porque a cerveja tira o cansaço ou pelo menos disfarça.
Acordamos no dia seguinte em Madrid e fico sozinha a explorar aquela cidade enorme. E maravilhosa. Cidades de P0rtugal, ponham os olhos em Madrid em vez de andarem a fazer competição para ver quem tem a maior feijoada ou o maior assador de castanhas. A cidade é fantástica. Tem Starbucks. E de cada vez que eu andava 50 metros e virava uma esquina, tudo me parecia estranhamente familiar. Madrid é, talvez, a cidade mais limpa que visitei, comparável apenas a Viena. Como era feriado municipal ou coisa do género lá, não consegui entrar em lado nenhum, e o único sítio aberto era o Museu do Prado, que teria, vá, uma fila de 600 pessoas para entrar. Voltei de Madrid com uma vontade enorme de voltar e de conhecer melhor. Quem me disse que o concerto de Madrid ia ser melhor que o de Lisboa, também me disse que Madrid era uma cidade fantástica e que ia, certamente, gostar. Gostei. Adorei Madrid.
Agora estou ressacadíssima de Madrid, dos concertos. Ando a cantar Interpol e pus toda a gente a dizer “Pol, pol, Interpol”. Vamos onde agora? Paris?