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Archive for the ‘O MEC é o maior’ Category

Post Lamechas

“Já um desgosto de amor é um desgosto completo: uma desilusão e uma angústia; uma frustração de quase não existir, que começa por nós próprios num incêndio de chuva que vai por aí afora até estragar o mundo inteiro, incluindo o que mais se queria proteger: a pessoa amada.”*

O amor, o amor. Definição vaga. Amor. Paixão. Definição de dicionário.
Amor. S.m. sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos; objecto da nossa afeição; paixão; afecto; inclinação. **

Objecto dos nossos desejos. O mesmo objecto que nos repela, o mesmo objecto que nos martiriza, o mesmo objecto que nos torna tudo o que queremos ser, o mesmo objecto que nos completa, mesmo que não o completemos.

Afeição. S.f. acto ou efeito de afeiçoar ou afeiçoar-se; afecto; amizade; simpatia; inclinação.**

Estágio primário de um amor que é o nosso. Simpatia. Crescendo de afectos. Amizade. O que quer que seja.

Paixão. S.f. Tendência dominante, ou mesmo dominadora e geralmente exclusiva, que exerce, de modo mais ou menos constante, acção directora sobre a conduta e o pensamento, orientando os juízos de valor e impedindo o exercício de uma lógica imparcial; sentimento profundo; grande predilecção; afecto violento; amor ardente; o objecto desse amor; grande desgosto; parcialidade, tendência exaltada, exclusiva, absorvente e duradoira. **

Paixão associada a grande desgosto. O amor associado a paixão. O amor associado a afecto. O afecto considerado mais ou menos redundante, associado a algo que poderemos nutrir por qualquer pessoa. A paixão que pressupõe o grande desgosto, a irracionalidade, tudo o que o amor nos dá, e que não nos poderá dar.

“Os desgostos de amor estragam a alma. É preciso ter muito medo deles. Respeito. Cuidadinho. Tratar o amor nas palminhas. Mesmo antes de chegar a pessoas que se vai amar. E, em vez de amar, tornam-se músculos leves e cínicos, trocistas e elegantes. Pode até ser muito giro ser assim. Mas está para o amor como o gosto de uma pedra de sal está para o mar.”*

“Os desgostos de amor fazem andar o mundo”***

Fazem andar o mundo dos outros. De quem nunca amou. De quem não ama. De que é tão forte que não se deixa abalar por aquele afecto violento. Os desgostos de amor até podem fazer andar o mundo. Mas param o nosso. E é possível deixar de amar? Ou é apenas possível amar outro, amando o mesmo?

Tenho o furor de amar. Meu coração é louco.
O quando e o onde, e a quem, importa pouco.
Que um clarão de beleza, virtude, ou pujança
Brilhe, e ele se precipita, e voa, e se lança. ****

Será que se pode falar tão levianamente de amor? Não estarei eu própria eu aqui a fazê-lo. Amar quando e onde e quem é irrelevante. Amor a outro. Amor a si próprio? Amor a si próprio por certo. E será que é menos amor assim?

O amor eterno?

Eu possa me [sic] dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. *****

E com esta lengalenga toda, soube mesmo bem ver-te esta tarde. Mesmo com as parcas horas de sono. Mesmo que tenha acordado a meio da manhã com saudades de ti. Encontro-me privada de ti. Mesmo quando não é suposto ter-te. As saudades são tuas. Eu? Não sei.

*Miguel Esteves Cardoso, Actual, Expresso, 13 de Janeiro de 07
** Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 8ª Edição.
*** Leonor Pinhão, Actual, Expresso, 13 de Janeiro de 07
****Paul Verlaine, Lucien Létinois – V, Poemas de amor e abandono, A mar Arte, edição e tradução manhosas.
***** Vinicius de Moraes, a mesma edição.

NOTA: Se alguém se encontrar em estado hiperglicémico no seguimento de ter lido este post, olha, eu só não digo que se vá f*der porque isso pode querer dizer “fazer amor desenfreadamente”.

Oh my lover dont you know it’s alright you can lov…

Novembro 13, 2006 lilystrange 3 comments

Oh my lover
dont you know it’s alright
you can love her
and you can love me at the same time

much to discover
i know you dont have the time
but oh my lover
dont you know it’s alright

Polly Jean Harvey – Oh My Lover.

Ora bem, continuo sem net. Melhor ainda, esqueci-me da pen com trabalho de casa na empresa.
Fixe fixe fixe, até chego a estar emocionada. Dia de S. Martinho ontem. Jantar de S. Martinho
na sexta-feira. E lá vem o sócio honorário da Super Bock. Eu acho engraçado como é que existem pessoas que não se apercebem que não são desejadas num sítio. Fim de jantar.
Ordem de expulsão ao sócio honorário da Super Bock, dada por mim. Manca-se?? Acho que não.

Mensagem: “Vens ao bar? O meu amigo tal quer falar contigo”.

Dorme amor, por tudo o que eu perdi*

AHAHAHA, vou claro que vou, a 180 km/h. O amigo tal é giro, bem giro, giríssimo. Com um pequeno grande defeito que agora não interessa. Baba, baba. Amigo coiso e tal chega depois ao bar “vens sozinho?” “Eh pá venho e tal”. Olho para a porta e vejo o sócio da Super Bock “oh que crlh, olha o gajo”, resposta: “ah esqueci-me de te dizer que ele estava a estacionar”. Mas se eu lhe perguntei se ele vinha sozinho… Incompreendida é como me sinto. Muito. Em todos os aspectos.

Ninguém percebe a minha vida. Ninguém percebe o meu amor. Nem eu percebo o meu amor.
Mas se amar não é isto, não sei o que será. Ás vezes questiono-me sobre o que raio estarei eu
a fazer à minha vida. Não é fácil para mim ver o que vejo sentindo o que sinto. Não é fácil para mim ter de ceder para que continue com o que desejo. Nunca tive pretensões de escrever um livro, precisamente por achar que um livro não pode ser pensado, um livro escreve-se a si mesmo. Eu posso explicar isto depois, em reunião a acordar.
Mas tenho tema para fazer qualquer coisa, falta-me é talento para que o livro se escreva.

Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, e a nós mesmos – que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é um abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso.É o único que não disfarça nem se engana. **

É, hoje estou um pouquito mais sorumbática, mas amanhã já estou melhor. Ou não.

* de “O Amor é Fodido” de Miguel Esteves Cardoso
** de “o Livro do Desassossego”, trecho 112, de Fernando Pessoa.
*** Evitam de procurar porque este não existe. Sou eu a ser engraçadinha.

Esperanças

Novembro 8, 2006 lilystrange 7 comments

Espero possuir ligação à internet em minha casa até ao próximo fim-de-semana. E tem mesmo de ser nem que eu vire o mundo ao contrário. Porque passar um fim-de-semana na terra dos leitões de duas e quatro patas já é, por si só, chato, mas passar o fim-de-semana na terra dos leitões e das porcas e porcos de duas patas sem internet ainda é mais. Tenho de arranjar daquelas anteninhas que apanha os canais todos todos todos e da maneira mais legal possível. Mas se calhar o melhor mesmo era arranjar um leitor de DVD que leia divx, porque estou fartinha de usar aqueles programas de conversão avi > DVD depois aquilo não funciona e depois aquilo diz bad disc, entretanto o leitor de DVD passa-se e eu enervo-me duma maneira surreal, com o estômago enrolado e a querer subir à boca, trémula das mãos, mas sempre a disfarçar, ou a tentar disfarçar que estou enervada e que de enervada me apetece vomitar e que de chateada me apetece gritar. Como se a pessoa de quem mais gostamos no mundo beijasse outra numa casa de banho perto de si.

Ontem, e para não fazer nada que me arrependesse, prendi-me na cama, depois de ter tomado 1/4 (pois é, Yashmeen). Prendi-me na cama, fechei os olhos com tanta força para ganhar força de assumir as minhas decisões. Mesmo que essas mesmas decisões me causem sensações como as birras do meu leitor de DVD.

Eu não sei muito bem o que escrevo aqui. Mas sei que para não perder tudo, tenho de fazer cedências. Ou lá quem concorde comigo abane o braço, quem não concorde comigo que abane a cabeça, quem tem coisas a dizer que comente. Não espero que percebam tudo o que digo, tento escrever ou expressar, porque nem eu própria percebo e este post é resultado de um turbilhão de ideias que me assalta a mente, mas eu percebo e assumo que o pouco que agora tenho é muito para mim, e é esse pouco que eu quero preservar e preciso de preservar, e preciso de cuidar e acarinhar, da mesma maneira que esse pouco me complementa, me estima e me preenche.

Eu quero agradecer às PDG, Yashmeen, Catarina e Vera C. o apoio em todas as alturas. Eu gosto muito de vocêzes. A sério.

Um dia atiro a alma ao ar e serei friamente feliz.

O MEC é o maior.

Quem podia mais querer-te como eu

já se me escapam as forças para me assoar. já dei mais de 800 espirros esta noite. a minha alminha tá constipada. o corpo ressente-se destas merdas.

se as pessoas estão vivas ou mortas, se nos conhecem ou não, se retribuem ou não o amor que lhes temos, se são só uma ou mais que as mães… são pormenores. O que importa é haver ali, nem que seja num só coração, um amor verdadeiro.

MEC – O Cemitério de Raparigas

Estou muito cansada. Com o meu coração casado, ca…

Estou muito cansada.

Com o meu coração casado, cansado de gostar e de deixar de gostar. cansado de lembrar e ver, de ver a lembrança à minha frente, e a felicidade atrás de mim, cansado do presente, de ver e de comparar uma com a outra. Cansado de discutir, de não explocar, não perceber, não ser percebido, de perdoar e não ser perdoado.

Cansado de sorrir do meu sorriso, da maneira que a lágrima tem de cair e secar, das portas, das janelas, do ar dentro das casa. Cansado de me animar, de me apanhar no meio do chão, de me meter no carro, de me servir, de me levantar.

Com o meu coração cansado de não saber o que sente, e de descobrir sempre de repente o que não sabe. com o coração cansado de saber. Cansado de mentir. Cansado de esquecer. Mas coração mesmo assim.

Miguel Esteves Cardoso in O Cemitério de Raparigas

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