Chanfra

Quando eu era pequena, pequenina, quando ouvia o que a minha avó dizia, o que a minha mãe dizia, o que as minhas tias diziam, o que a chanfra da minha prima Leonor dizia, pensava sempre que isto de crescer havia de ser uma grande chatice.

Cresci. Com a excepção da chanfra da prima Leonor, tudo o que as mulheres da minha vida diziam tornou-se inerente à minha forma de pensar, às vezes, de agir, mas sempre achei que, ao contrário do que diziam, se podia confiar em todas as pessoas do mundo. Enganei-me.

Cresci.

Não tenho paciência para os erros dos outros, mas também tenho dificuldade em começar a ver os erros. Nos entretantos, nas comiserações e coitidificações sou muito filantrópica. Preocupo-me com os outros, com o bem-estar dos outros, não me esqueço das datas importantes das vidas deles, lembro-me de pormenores que poderão ter que ver com a predileção da cor ou desgosto gastronómico. Gosto de o fazer. Parte porque gosto que mo façam.  Lixo-me sempre.

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