Migo

Talvez tenha de esquecer-te. Deixar que o tempo passe. Deixar que tu passes e que saias da minha cabeça. Ou que entres na minha vida.

Em todo o lado uma réstia de esperança. Não é muita, mas alguma, que me enche o peito e faz com que não me irrite com o batalhão de passarinhos que chilreia todos os domingos de manhã à minha janela do quarto, como se me trouxesse as boas novas quando na verdade só me acordam no único dia em que posso dormir até mais tarde. Filhos da mãe dos passarinhos. Não lhes sei a raça.

Também não conheço a tua, mas vou captar todas as coisas miseráveis sobre ti. São poucas, mas cambaleias a andar, tens uma voz pouco serena, escreves há sem agá e chamas “migos” e “migas” às pessoas que consideras tuas amigas. Que deixaste que entrassem na tua vida. Que fazem parte da tua vida.

 Se um dia me chamares “miga” nunca mais te olho para a cara, mas dava este mundo e o outro* para fazer parte da tua vida.

Nada mais há de execrável em ti.
* para não usar a brejeiríssima expressão “dava o cu e 8 tostões”

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